A história do JCCMBH

A 56ª Filial BUDOKAN JCCMBH

A história do JCCMBH
08/04/2021 - Atualmente, o Sistema Colégio Militar do Brasil conta com 13 (treze) Colégios Militares difundindo um ensino de alta qualidade, conforme índices oficiais do Governo Federal, como IDEB e ENEM.

São eles: Colégio Militar de Porto Alegre, Colégio Militar do Rio de Janeiro, Colégio Militar de Brasília, Colégio Militar de Manaus, Colégio Militar de Fortaleza, Colégio Militar de Belo Horizonte, Colégio Militar de Salvador, Colégio Militar de Recife, Colégio Militar de Curitiba, Colégio Militar de Juiz de Fora, Colégio Militar de Campo Grande, Colégio Militar de Santa Maria e Colégio Militar de São Paulo. A DEPA, que atualmente é denominada Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial, é o órgão de apoio técnico-normativo do Departamento de Educação e Cultura do Exército, DECEx, responsável por coordenar as ações direcionadas ao ensino em todos esses colégios militares.
 
É neste ambiente escolar cívico-militar que surgiu a 56ª Filial Budokan Judô Clube Colégio Militar de Belo Horizonte (1969) sob a direção do Major Drummond e seu ordenança, o 3° Sargento PQD José Inácio do Nascimento.

Tudo começou em 1969

A história do JCCMBH
O desenvolvimento de uma escala de valores ética e moral é premissa básica e está prevista na proposta político pedagógica dos Colégios Militares como reforça a DEPA: É neste meio que se insere o Colégio Militar de Belo Horizonte, educandário ancorado na excelência do ensino. É deste somatório que emerge a identidade do sistema, o diferencial capaz de gerar vínculo, apego e sentimento de pertença ao CM.

Como estabelecimentos de ensino filiados aos códigos do Exército, os Colégios Militares sustentam-se sobre os mesmos pilares: a hierarquia e a disciplina. Esta peculiaridade, que os distinguem no todo maior da educação nacional, reforça a imagem que os Colégios Militares vieram lapidando ao longo de mais de cento e vinte anos: sua marca particular (DECEx, 2001, p.1).

O berço do JCCMBH começa na vida de um japonês tradicional. Imagine um imigrante, alguém que deixa o seu país para morar em outro. Agora, imagine esse mesmo imigrante ser responsável pela difusão, neste novo país, de uma das principais modalidades esportivas de luta do mundo. Este foi Ryuzo Ogawa, “NIPPON” que desembarcou em 1936 na cidade de Registro, no interior de São Paulo, e foi um dos responsáveis pelo ensino e expansão do judô por todo o território nacional. Com a criação da Associação de Judô Hombu Budokan, já na capital, para onde o mestre Ryuzo Ogawa se mudou dois anos depois da chegada, o judô ganha dimensões gigantescas. Já aos 53 anos, Ryuzo Ogawa chega ao país com a esposa e o filho único Matsuo, junto com a família de seu irmão. Sem experiência na prática da agricultura, usada pelos imigrantes nipônicos para sobreviver no Brasil, ele logo passou a implantar o jiu-jitsu e depois o judô, mas ainda entre os japoneses apenas. Foi com ida para São Paulo, em 1938, com a abertura da academia no bairro da Liberdade, que os brasileiros começaram a conhecer o Judô.

Ryuzo Ogawa exerceu grande influência na formação do judô brasileiro. Ele, na verdade, aprendeu jujutsu, que é bem próximo ao judô. O Brasil talvez seja o único país do mundo que o judô não tenha vindo diretamente do Instituto Kodokan, entidade que Jigoro Okano fundou, já que mestre Ogawa não aprendeu com ele. Como o jujútsu já estava ficando relegado no Japão, as pessoas queriam aprender judô, e como o estilo do mestre Ogawa era próximo, começou a ensinar judô.

Shihan Inácio e Costa

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Nosso mestre Ryuzo Ogawa faleceu em 1974. Mas já antes disso, seu filho Matsuo já tinha tomado à frente da Associação de Judô Hombu Budokan no início da década de 60. A ida para o bairro do Jabaquara, na Zona Sul da capital, aconteceu em 1973. Para o neto dele Hitoshi Ogawa, o estilo do judô brasileiro é predominantemente japonês, diante das raízes de seu avô e dos demais responsáveis pelos primeiros ensinamentos do judô, como Tatsuo Okoshi, Katsuoshi Naito e Sobei Tani.

Hitoshi Ogawa comenta que foi o mestre Ryuzo Ogawa quem se preocupou com a forma de ensinar o judô para brasileiros, enquanto muitos antes deles tinham dificuldades para formar alunos. Os alunos começavam a apanhar muito e a academia não ia para frente. Eles tiveram que fazer o que se faz hoje no MMA, promover reuniões de desafio, de vale-tudo. Aquele primeiro objetivo de disciplina e filosofia do judô começou a se perder, e seu avô veio depois e foi realmente aquela pessoa que queria ensinar o judô de maneira pedagógica e fundamentada. A partir daí que começou a crescer o número de adeptos. A Budokan, historicamente, tem muita relevância imensa para o judô brasileiro por causa desse tipo de trabalho realizado pelo Mestre Ogawa.

Foi a partir da década de 1960, com a vinda de professores japoneses universitários para o país, que a preocupação profissional começou a crescer entre os judocas: "No judô antigo, a turma gostava de competir. A partir da vinda de novos professores, começou-se a se preocupar com alimentação e preparo físico, por exemplo, e o resultado técnico começou a crescer”, cita seu neto Hatiro Ogawa. Mas, hoje, a situação das academias é diferente. O trabalho de base do judô brasileiro mudou. Os clubes brasileiros e projetos sociais tomaram o lugar nessa formação, e Hitoshi cita a dificuldade de se manterem academias particulares.

Antigamente dava-se mais ênfase às academias, como começou o judô. Depois isso foi passado aos clubes e projetos sociais. A estrutura foi mudando. Particularmente, ficou mais difícil de manter uma escola de judô. A modalidade, em si, continuou forte, mas a formação foi para outros lugares. Poucas academias particulares conseguem se manter. A Budokan faz a formação básica, mas quando o aluno chega na faixa dos 15 anos, os grandes clubes já o levam. Antigamente não, o aluno ficava até os 20, 25 anos.

A exemplo do JCCMBH com mais de 50 anos da formação de judocas campeões da vida, mesmo diante das dificuldades, ratifica que o nome do Mestre Ryuzo Ogawa permanece e permanecerá como parte determinante da história do judô brasileiro. Prova disso é que a matriz Hombu Budokan realiza todos os anos seu torneio anual nacional, talvez o mais antigo em todo o mundo fora do Japão, segundo seus netos Hatiro e Hitoshi Ogawa.

A 56ª Filial Budokan JCCMBH nasce no dojô do CMBH e toma vulto estadual e nacional. Seus precursores foram, o então Major Drummond e o seu auxiliar Sargento Inácio, mais os alunos Joel Amaral, Grandinetti, Maia, Nunes, Alencastro, Proença, Marco Ribeiro, Fernando (batata), Ronaldo Camargo, Luiz Hipólito (Nico-nico), Augusto Glycério, Paulo Romero, Mauro Silveira, Hilton Mascarenhas, João Luiz Azevedo, Álvaro Castro Neto, Leonardo Puntel, João Marzano e Josué Morisson. Quando o Mestre Inácio assume o JCCMBH ele forma com a ajuda do companheiro, Antônio Carlos Costa (JAB hoje), uma outra geração de judocas incríveis e muito competitivos, tais como: Ivan Turra, Armando Vignoli, Ítalo Avelar, Moacyr Barros, Glaydson Souza, Gilberto Souza, Álvaro Aboim, Tulio Aboim, Hélio Monjardim, Alexandre Meirelles, João Meirelles, Silvano Junior, Emílio Ferrer, Abelardo Holanda, Sérgio Santos, Antônio Cavagnac, Alessandro Pompeu, Paulo Brenke e outros tantos. Muitos campeões mineiros, campeões da Budokan (considerado na época o evento nacional mais difícil de concorrer), regionais brasileiros, torneios militares, estudantis, universitários, etc. O período de 1969 a 1980 foi o ápice do JCCMBH. Marcados por competições memoráveis para todos os judocas aqui citados.

O que tinha de diferencial na prática do judô no CMBH?

A história do JCCMBH
Basicamente, o Inácio e o Costa faziam com que uma aula de judô fosse eficaz e eficiente, cobrando uma boa: postura corporal (shinsei); uma dinâmica segura de movimentação do judoca no shiai-jo (shintai) – procuravam respeitar o biotipo de cada um; precauções nos giros do corpo (tai-sabaki); cuidados coma as formas e varrições de pegadas (kumi-kata); e nos amortecimentos de quedas (ukemi).

As aulas técnicas eram divididas em dois grandes grupos: Nage waza: Gokyo. Dai nikkyo, Dai sankyo, Dai yonkyo e Dai gokyo. Em seguida, Habukareta waza · Shinmeisho no waza. Nos treinos de chão (solo): Katame waza: Ossaekomi waza, Shime waza e Kansetsu waza. Nesses momentos éramos muito bem preparados para surpreender os oponentes em combate. As aulas táticas chamadas de FINTA era o nosso pulo do gato. Havia uma máxima cultuada entre nós: “é preciso cumprir a nossa razão de ser”- Inácio (1994. DEFER-DF). 

Judocas forjados pela filosofia do judô

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Em 2019 um grupo se reuniu na sede do Judô Águia Branca – Betim, sob a coordenação do Kodansha Antônio Carlos Costa e sua equipe, para que possam por meio das redes sociais como whatsapp trocarem informações, bate-papo, experiências profissionais, articulações e mobilizações de apoio social e cooperação mútua.

Enfim, essa é história do 56ª Filial da Budokan e JCCMBH, um grupo seleto de judocas forjados na verdadeira filosofia do judô para serem mais que vencedores, cidadãos de bens e bons exemplos para futuras gerações.