As Graduações no Judô

Filosofias e Conceitos

As Graduações no Judô - Filosofias e Conceitos
10/03/2021 - Existe uma lenda a respeito da cor da faixa no judô. Não se sabe ao certo qual é sua origem, mas diz o seguinte: todo aluno inicia sua jornada de aprendizado com a faixa branca que simboliza a cor sagrada e divina na cultura japonesa.

Com o passar dos anos e por não se ter o habito de lavar a faixa, a mesma adquiria uma cor amarronzada e, por consequência, ficava preta ao longo dos anos.

Mas, isso é apenas de uma lenda e alguns fatos simples corroboram para que seja um fato sem veracidade. O principal deles é a falta de higiene por não se lavar uma parte da vestimenta destinada à pratica do esporte. Contudo, nos faz pensar sobre as cores das faixas e o que representa cada graduação.

Cada cor ou faixa tem a função de representar um ciclo de aprendizado e mostra o grau de conhecimento de cada atleta dentro esporte e, também, traz a sensação de hierarquia que, por sua vez, reflete numa ordem a se seguir dentro e fora do dojô.

O surgimento das cores das faixas é controverso e rodeado de especulações. Considera-se que o Mestre Jigoro Kano instituiu a mudança na vestimenta dos trajes para a prática de artes marciais, passando a ser utilizado em duas peças. Antes disso, o kimono era usado e confeccionado em uma única peça, amarrado por uma faixa ou cinto largo.

O uniforme adequado

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Mas, para trocar pegadas firmes, arremessar e estrangular, Kano percebeu que o uniforme adequado deveria ter um Wagui (casaco) de um tecido grosso, resistente às puxadas; um Shitabaki (calça) comprida e também de material resistente; e o Obi, que até então era uma inconveniente faixa larga, foi remodelada a uma faixa estreita de algodão. Assim, por volta de 1907, o Mestre Jigoro Kano desenvolveu o judogui na forma que o conhecemos hoje.

Surge então a faixa. Inicialmente, a cor branca era utilizada para representar o vazio, a falta de conhecimento ou pouco conhecimento adquirido. De outro lado, temos a faixa preta, que simboliza o conhecimento considerável adquirido ao longo dos anos de prática, justamente pelo preto ser cor oposta ao branco.

Especula-se que, pouco antes da sua morte, o Mestre Jigoro Kano criou as marcações vermelha ou branca na faixa preta, com o vermelho simbolizando a luta e o desejo de aprender.

Mais tarde, em 1935, o Mestre Mikomusuke Kawaishi, quando lecionava em Paris, na França, criou uma sequência de cores para as faixas. Sem me atender às cores e sua sequência, não as descreverei neste artigo, mas essas cores têm o sentido de simbolizar o nível de conhecimento e de motivar o ocidental a perseguir objetivos cada vez maiores. Hoje, sabe-se que cada cor desperta um diferente sentimento nas pessoas e, por sua vez, transmite uma mensagem.

Respeito, ética e honra

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Dessa forma, podemos nos permitir uma indagação: mais vale a cor da sua faixa ou o grau de conhecimento adquirido?

Para responder a essa questão complexa, devemos fazer uma reflexão bem simples, no que diz respeito à cultura japonesa, com poucas graduações, e a cultura ocidental, na qual a cor da faixa é de grande importância. 

Segundo os preceitos ensinados nesse nobre esporte, que tem por denominação o “caminho suave”, respeito, ética e honra são primordiais para sua pratica saudável.

Partindo desses e de outros princípios, os mais graduados, segundo o ocidental com as cores de suas faixas, e os que praticam o judô a um longo tempo, seguindo o princípio oriental, com poucas cores e graduações, ambos têm a obrigação ética e moral de difundir o esporte e de abraçar os mais novos, de forma a garantir a boa formação do cidadão e do atleta, além de servir como exemplo e espelho de boas condutas e práticas decentes na sociedade a qual está inserido.

Rodrigo Escaliante

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Desta forma, não obstante a nenhuma das formas de pensar, seja oriental ou ocidental, o fato é que o nível de conhecimento dentro da filosofia judoísta traz grandes responsabilidades, devendo os praticantes demonstrar respeito por qualquer nível hierárquico ou grau de conhecimento, de maneira que a formação ética e moral do indivíduo ser sempre maior que a sua posição ou faixa adquirida.

Isto não implica em demérito à graduação, muito menos ao tempo de prática esportiva ou a contribuição efetiva para com o esporte. Significa, apenas, que o indivíduo deve ser observado e merecedor de respeito e cordialidade, simplesmente pelo fato de se tratar de um ser humano.

A título de curiosidade, a Federação Internacional de Judô (FIJ) reconhece as cores das faixas na pratica do esporte, deixando, no Japão, a livre escolha de cada professor utilizá-la ou não em suas academias.

Artigo de Rodrigo Escaliante
Faixa Preta - Shodan