SEMINÁRIO: Princípios Filisóficos do Judô

Mesa de honra virtual com autoridades do judô

Judô: Princípios Filosóficos
Judô: Princípios Filosóficos

15/08/2020 - O judô teve sua origem no jujútsu (técnica suave). Porém, Jigoro Kano (1860-1938), criador do Judô (caminho suave) e fundador Kodokan Judo, quis direcionar esse esporte para o cunho educacional (luta pelo autoconhecimento e autocontrole) e não para o que seu antecessor priorizava que eram, somente, técnicas de luta.

Kano Sensei era um grande conhecedor de várias culturas e, como estudioso que era, pode aperfeiçoar o Jujutsu e dar-lhe um cunho filosófico, pautado no equilíbrio entre o corpo e a mente.

Ao criar essa nova luta teve, como finalidade prática, aprender o princípio da conduta natural para tornar a vida e o cotidiano um caminho mais suave.

Diferenciando completamente do Jujutsu, Kano criou uma filosofia baseada em três princípios: condicionamentos físico, espiritual e moral.

Jigoro Kano (1860-1938)

Judô: Princípios Filosóficos
JU (suave)

O princípio da suavidade, apesar de sua ligação ao plano físico, é uma doutrina que deve ser usada de forma inteligente; a força deve ser racionalizada de forma consciente e, sobretudo, para não tornar o Judô violento. É a base do ‘ceder para vencer’.

SEIRYOKU ZENYO (máxima eficiência com mínimo de dispersão de energia)

O corpo humano alcança a máxima eficiência através do aprimoramento físico e do empenho nos treinamentos das técnicas. Mas, também, depende de todos os aspectos da vida do judoca, tais como saúde física (boa alimentação e repouso adequado) e espiritual (desenvolvimento intelectual e filosófico).

JITA KYOEI (bem-estar, prosperidade e benefício mútuo)

Este é o princípio da solidariedade humana. Temos, nesse princípio, o entendimento de que os ensinamentos aprendidos com o judô devem ser usados pelo praticante, não só para proveito próprio, mas também para trazer bem-estar a todos ao seu redor. O progresso pessoal só é atingido, completamente, com ajuda e solidariedade ao próximo. O Jita Kyoei se resume em praticar o bem e receber o bem.

O Judô é, acima de tudo, uma escola de valores, no qual se procura ensinar aos seus praticantes a serem cidadãos que vivem em harmonia com a sua comunidade, com respeito aos seus superiores hierárquicos, seus pares e, principalmente, ao próximo. O judoca carrega consigo a responsabilidade de construir uma sociedade pautada no respeito e na harmonia.

Princípios Filosóficos

Judô: Princípios Filosóficos
1. ‘Conhecer-se é dominar-se e dominar-se é triunfar’;

2. ‘Quem teme perder, já está vencido’;

3. ‘Somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e humildade’;

4. ‘Quando verificares, com tristeza, que nada sabes, terá feito seu primeiro progresso no aprendizado’;

5. ‘Nunca te orgulhes de haver vencido um adversário. Ao que venceste hoje, poderá derrotar-te amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância’;

6. ‘O judoca não se aperfeiçoa para lutar, luta para se aperfeiçoar’;

7. ‘O judoca é o que possui inteligência para compreender aquilo que lhe ensinam e paciência para ensinar o que aprendeu aos seus semelhantes’;
8. ‘Saber cada dia um pouco mais, utilizando o saber para o bem, este é o caminho do verdadeiro judoca’;

9. ‘Praticar o judô é educar a mente a pensar com velocidade e exatidão, bem como o corpo a obedecer com justeza. O corpo é uma arma cuja eficiência depende da precisão com que se usa a inteligência’.
 
Texto de Márcio Henrique da Silva (5º DAN), Professor de Educação Física e Gestor Público Municipal; Especialista em Treinamento Esportivo; Especialista em Gestão Pública Municipal; Coordenador Estadual de Kata da CBJ; Técnico da EFO Academia de Polícia Militar - MG / Técnico do Barroca Tênis Clube Judocon; Professor do Projeto Social Judô em Cristo.